Franca e Região: Policial

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Comércio da Franca - 11/3/2010 10:04:33
Operação do Deic em Franca desmonta depósito com R$ 1 milhão em medicamentos roubados



Policiais do Deic - Departamento Estadual de Investigações Criminais - estouraram um barracão na Vila Aparecida, ontem, e apreenderam medicamentos roubados, avaliados em R$ 1 milhão. Três homens foram presos no local. Eles são acusados de envolvimento com uma quadrilha especializada em roubos de carga. Um dos detidos seria o chefe do grupo no Estado. Além de Franca, o bando possui ramificações em São Paulo, Piracicaba e Mogi Mirim. Os nomes dos presos não foram revelados. O imóvel, usado como depósito, está locado a um comerciante que era até pouco tempo dono de uma rede de farmácias na cidade. A participação dele no esquema é investigada. Nenhuma autoridade que atuou na operação divulgou informações oficiais.

A equipe da 2ª Divecar (Divisão de Roubos de Cargas) do Deic apurou a ligação de Franca com o esquema após prender assaltantes em operações anteriores e realizar grampos telefônicos. Por meio de escutas, descobriram que o barracão localizado na Rua Paraná, próxima à Avenida Brasil, funcionava como depósito e centro clandestino de distribuição de medicamentos roubados. A suspeita é de que abastecia comerciantes de Franca e de cidades da região, inclusive, de Minas Gerais.

Na noite de terça-feira, após rastrearem os passos da quadrilha, quatro investigadores invadiram o depósito no momento em que o suposto líder do grupo negociava a venda de um lote para dois compradores que estavam em um Fiat Strada com placas de Campo Florido (MG), região de Uberaba (MG). Um dos acusados, tentou fugir, foi perseguido e detido um quarteirão depois. Os supostos compradores têm passagens pela polícia por roubo de carga.

Dentro do depósito, foram encontradas centenas de caixas de remédios, a maior parte genéricos, produzidos por cerca de 20 laboratórios. Havia medicamentos de alto custo, como o Seroquel 300mg, usado no tratamento da esquizofrenia e transtorno bipolar, que custa R$ 731, frascos de soro injetável, anticoncepcionais, lotes de tarja preta com selos de venda proibida, remédios controlados para distúrbios do sono e sedação antes de procedimentos cirúrgicos e tranquilizantes, além de produtos usados apenas na rede hospitalar. Alguns exemplares estavam vencidos desde 2007, o que levantou a hipótese de o barracão estar sendo usado pela quadrilha há pelo menos três anos. Num cálculo preliminar, os investigadores do Deic disseram que a carga está avaliada em R$ 1 milhão.

Além de não terem procedência legal, os medicamentos estavam estocados de maneira inadequada, o que poderia colocar em risco a saúde de eventuais consumidores. Caixas estavam jogadas no chão, perto de um banheiro sujo e encostadas em paredes úmidas, além de misturadas com restos de alimento.

A carga foi trazida para Franca após ser roubada de caminhões em rodovias e em sedes de transportadoras. As escutas mantidas em sigilo flagraram donos de conhecidas redes de farmácias negociando a compra dos produtos. Todos os comerciantes que aparecem na relação de telefones serão intimados a prestarem depoimento no Deic.

No interior do barracão, também foram encontradas notas fiscais e uma moto com o logotipo de uma rede de farmácia da cidade. O depósito é alugado pelo comerciante Virgílio Brazão de Paula. Até o fim do ano passado, ele era dono de uma rede de farmácias e possuía três unidades em Franca. Virgílio não foi encontrado ontem pela reportagem. Seu advogado, João Batista Palim, informou que ele relocou o imóvel a uma terceira pessoa, mas não soube precisar quem. Seu cliente está cuidando de negócios particulares no interior de Goiás. "O Virgílio vendeu a farmácia e não tem nenhum envolvimento com o caso. Vou apresentá-lo às autoridades em breve para prestar as informações necessárias", afirmou.

Os medicamentos apreendidos foram periciados e transportados para a sede do Deic, em São Paulo. Por meio do rastreamento dos lotes, a polícia espera chegar aos laboratórios vítimas de roubos. A operação não se restringiu apenas a Franca.

Um dos presos na cidade foi apontado pelos investigadores como líder da quadrilha. Ele é morador de Piracicaba, na região de Campinas, e mantinha outros barracões idênticos no interior para esconder produtos roubados. Escutas mostram que ele comandava uma rede de distribuição. Após sua prisão, a equipe do Deic se dividiu e parte seguiu para sua cidade. Perto da casa dele, a polícia estourou outro depósito onde foram encontrados mais medicamentos roubados. Ações também foram desencadeadas simultaneamente em Mogi Mirim e em São Paulo para cumprirem mandados de busca e prisões. O Deic não divulgou o resultado.

O delegado responsável pelo caso, Genésio Léo Júnior, disse por telefone que não pode revelar detalhes do caso, pois a investigação está em andamento e novas prisões podem ocorrer. Policiais do Deic afirmaram, informalmente a reportagem, que esta é a maior quadrilha do País especializada em roubar cargas de medicamento. O rombo provocado pelo bando é superior a R$ 7 milhões.




       

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