Em meio a muita polêmica, inclusive com direito a bate-boca, a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) apresentou ontem em uma audiência pública a proposta para regularização dos pontos comerciais instalados nas garagens dos predinhos do Parque Vicente Leporace. A ideia da companhia é derrubar tudo o que foi construído de maneira irregular e erguer nas áreas livres em esquinas da própria Avenida Abrahão Brickmann, galerias comerciais no estilo de mini shoppings. Já o lugar das lojas seria ocupado por estacionamentos, área de lazer, jardins e outros espaços de uso comum aos moradores dos prédios. Se aprovada, a ideia pode levar cinco anos para ser finalizada.
A audiência aconteceu na sede da Associação Paulista do Ministério Público que ficou lotada de comerciantes do bairro. Mais de cem pessoas se aglomeraram na porta da instituição e em razão da possibilidade de tumulto, foi pedido apoio da Polícia Militar que ficou de prontidão no local.
Com a entrada permitida somente para comerciantes convocados, o encontro começou com a explanação do promotor Carlos Gasparotto. "A audiência é para ouvir os comerciantes, saber dos seus anseios e problemas e a opinião diante do projeto apresentado pela CDHU", disse.
Uma equipe técnica da companhia apresentou o projeto. A proposta consiste em construir três centros comerciais (em áreas já disponíveis) com dois pavimentos, acessibilidade para deficientes, iluminação direta e quiosques, além de todo trabalho paisagístico. Teria direito aos espaços, que seriam vendidos e pagos em prestações, todos os 144 comerciantes cadastrados em levantamento realizado por assistentes sociais da CDHU.
O projeto ocasionou análises divididas. "A ideia é boa desde que seja contemplado o direito das pessoas, principalmente daqueles que construíram seus locais de trabalho e não podem ficar no prejuízo. Para eles, o novo local nesses centros comerciais deveria ser concedido, sem despesas. Aos que alugam os boxes, talvez o correto seja o pagamento", disse o advogado Reginaldo Carvalho em nome da União das Associações Comunitárias de Franca.
A CDHU não declarou quantos cômodos seriam construídos, metragem e valor de cada área. Para dar seguimento as discussões, foi sorteada uma comissão com nove representantes dos comerciantes. A data do novo encontro ainda não foi definida.
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