Com dois quilômetros de extensão, a Avenida Doutor Chafic Facury, que atravessa bairros como Jardim Noêmia e Parque Santa Hilda, tem se transformado em um corredor de perigo. A tensão é vivida por pedestres, motoristas e moradores das redondezas. Quem vive próximo da via afirma ser difícil passar uma semana sem presenciar algum acidente no local. Somente na última segunda-feira foram duas ocorrências. Em uma delas, uma menina de cinco anos foi atropelada ao descer de um ônibus escolar. No outro, um Corcel “voou” para cima do canteiro após ser atingido por um Santana que não respeitou o sinal de pare.
O trânsito começou a ficar mais intenso após a abertura da Avenida Alagoas, em maio do ano passado, e a transferência de fluxo da Avenida Santa Cruz (que passou a ter mão única, sentido bairro-Centro) para a Avenida Eliza Verzola Gosuen. É exatamente no cruzamento da Eliza Gosuen com a Chafic Facury onde está um dos pontos mais críticos da avenida.
No começo da noite de terça-feira, a reportagem do GCN Comunicação permaneceu por aproximadamente 40 minutos nesse trecho e presenciou inúmeras imprudências dos motoristas, principalmente a falta de respeito à sinalização de solo e a velocidade avançada. A equipe constatou que muitos carros passam pela via com o velocímetro acima dos 60 quilômetros por hora, velocidade máxima permitida. Para cruzar a Avenida Chafic Facury, os carros também se espremem ao lado de um canteiro redondo que imita uma rotatória, mas com tamanho insuficiente para comportar dois veículos ao mesmo tempo. O som de buzinas é constante.
Com apenas uma lombada ao longo de todo seu trajeto, a avenida ainda oferece perigo para ciclistas e, em especial, aos pedestres. Em razão da existência de poucas casas próximas do trecho com a Eliza Gosuen, as quadras não possuem calçadas e muitas pessoas que usam o local para correr e fazer caminhada precisam transitar pela via ao lado dos carros.
A dona de casa Shirley da Silva Cardoso, 57, não mora na Chafic Facury mas da porta de casa observa todas os dias os abusos cometidos pelos motoristas. Sua residência fica na Rua Sebastião Aparecido da Silva, paralela à Chafic, de frente a um lote vago que dá acesso à via. “A Prefeitura precisa mudar o sistema de trânsito da avenida. Até para entrarmos na nossa rua é perigoso. Ninguém respeita sinal”, reclamou.
O técnico em produtos químicos Giovanni Paulino Vaz, 42, também vê com frequência a negligência dos motoristas naquele trecho. Ele mora com a mulher e três filhos na continuação da Avenida Eliza Verzola no Bairro Espraiado Primo Meneghetti e redobra os cuidados ao sair de casa para atravessar a avenida vizinha. “Já vimos até carros na contramão, além de rachas na madrugada do fim de semana”.
OUTRO TRECHO Outro ponto crítico da Avenida Chafic Facury é na altura do Jardim Noêmia, próximo a um supermercado que leva o nome do bairro. Neste trecho, além de abusar da velocidade, os motoristas estacionam dos dois lados da mesma pista (rente à calçada e ao canteiro central), o que atrapalha a visibilidade de quem precisa atravessar a via. “É super perigoso. Faz 18 anos que instalei o supermercado aqui e o problema do excesso de velocidade continua”, disse Donizeti Morais, proprietário do estabelecimento, que nos últimos anos presenciou três mortes no local. Morais já fez um abaixo assinado com os moradores do bairro para a instalação de redutores de velocidade, mas até agora nada foi feito. O documento com duas mil assinaturas foi entregue no Departamento de Trânsito da Prefeitura e na Câmara Municipal. “Ninguém faz nada. Enquanto isso, os acidentes continuam”.
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