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Diário da Franca - 28/12/2007 09:50:31
Indústrias apostam no mercado interno em 2008



A recuperação da crise calçadista é lenta e caminha para bons negócios em 2008. Como este ano, o mercado interno deverá ser o grande stand-by das fábricas, principalmente de calçado masculino. As empresas querem atrair mais clientes com modelos diferenciados, pois o homem está verificando que o sapato também é um acessório especial.

Tanto as empresas quanto as lojas traçam um perfil diferenciado no mercado interno para o próximo ano. Em 2007, a reação nas vendas no mercado interno fez o pólo calçadista de Franca, principal produtora de sapatos masculinos no país, reverter a expectativa de queda e ter crescimento de 7,84% na produção de pares neste ano. A previsão era de, no máximo, alcançar os 25,5 milhões de pares produzidos em 2006, mas as empresas "voltaram'' os olhos ao próprio país, deixando as exportações de lado, e vão fechar o ano com 27,5 milhões de pares produzidos.

Resultado disso é que o nível de empregos, antes em queda, se recuperou: o setor emprega 22 mil operários, 4,98% a mais que os 20.957 no ano passado 2006, segundo o Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca). Enquanto o mercado interno teve alta de 13,5%, com 21,8 milhões de pares, as exportações caíram 9,7% no ano -5,7 milhões neste ano ante 6,3 milhões em 2006.

"A contratação de mais trabalhadores e a boa alta nas vendas internas no país mostram que conseguimos suprir a queda nas exportações. Este ano foi muito difícil por causa da instabilidade cambial, mas a recuperação interna no segundo semestre deu uma aliviada no setor", diz Jorge Félix Donadelli, presidente do Sindifranca.

As exportações renderam US$ 131,3 milhões neste ano, ante US$ 136,6 milhões em 2006-3,88% a menos. A queda no faturamento foi menor, pois as indústrias conseguiram reajustar os preços dos modelos.

"A reação ocorreu porque o país teve crescimento. O PIB melhorou e, como o nosso mercado é o quinto melhor do mundo, precisa mostrar isso." Uma das empresas que priorizaram o mercado brasileiro foi a Mariner. Ela chegou a destinar 50% da produção para a exportação, mas em 2007 o volume caiu para 30%. "Exportamos na entressafra do mercado interno, no começo do ano e em agosto. Mesmo não ganhando (com a exportação), deixamos de perder mercado. Se só exportássemos, seria prejuízo", afirma Marco Antonio Lameirão, sócio da empresa.

Para Donadelli, a cotação do dólar, instável e considerada baixa para o setor, é o principal entrave para crescer. "Se houvesse estabilidade, ainda que em R$ 1,50, o empresário trabalharia melhor. É inconcebível fechar negócios com o dólar a R$ 1,80 e entregar o produto a R$ 1,75. É muito prejuízo." O diretor comercial da Sândalo, Téti Brigagão, diz que a meta de exportação não foi atingida. "Esperava atingir 30%, mas só consegui 20%. Para 2008, queremos atingir os 30%.'' A empresa produz hoje 2.600 pares por dia.

Segundo Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Franca, o dólar atrapalha, mas a diversificação nos destinos dos produtos amenizaria o impacto. "É necessário ampliar o número de compradores. Quanto mais comprarem, ainda que em quantidades não tão grandes, menor é o risco de quebrar." Para Donadelli, o fim da CPMF será positivo: "Não ia para a saúde, como deveria. Seu fim proporcionará maior capacidade de investimento."


       

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